Não tenho tatuagem (ok, sou um ET, podem rir). Por isso nunca soube se dói ou não ficar cutucando a pele com uma agulha durante horas. Agora, se você é daqueles que desmaia ao tirar sangue, mas tem vontade de sentir por um dia como é ser apontado na rua, precisa conhecer as sleeve tattoos. Você paga pouco mais de 10 dólares e compra uma "segunda pele" (não encontrei expressão menos manjada) criada por ilustradores, tatuadores e artistas de todo o mundo (diz o site...) Só não compro a minha porque tenhos os braços finos (seria ridículo), porque tenho medo de ser desmascarado (seria ridículo) e porque não quero ficar parecido com cara da foto (sim, seria ridículo).
Ontem participei do IV Concurso de Poesia Falada, promovido pelo Espaço Parlapatões.
Como funcionava: você se inscrevia com um poema, aparecia lá, agarrava o microfone e falava (na cara e na coragem) seu texto. Depois era só tomar uma cerveja com os amigos e curtir o fim do nervosismo.
E tinha de tudo lá. Caras mais velhos, caras mais novos, textos raivosos, textos românticos, poemas curtos, poemas longos, engajados, divertidos, letras de músicas. Tudo muito bom. Tudo.
E tinha o meu. Esquisito. O tal do "Hotel Trombose".
Que acabou ganhando. Vixe. Puta alegria. De verdade. Fiquei até com cara de mané. Perdido.
Este vídeo é a minha segunda leitura (o bis), depois que anunciaram os vencedores.
E, sim, eu estava nervoso pra cacete.
Ah! Os escritores e amigos Jorge Ribeiro e Pilar Bu também estavam lá! E mandaram muito bem!
Ficou difícil de entender? Segura aí o texto:
Hotel Trombose
Tem puta. Cafetão. Leitinho quente. Tem sacanagem a cabo. Gemido de filme. Fita cacete. Tem velho com criança pequena. Que baba de dor. De medo. De tesão. Tem gente levando por fora. Por trás. Por onde. Porque? Tem pedido pra tomar esporro do céu. Da boca. Tem documento 3x4. Amassado na cara. Tem mão fora de hora. Na garagem. Na escada. Na boa. Tem um suco preto do dia. Na parede do doido. Tem crime hediondo. Sem culpa. Calado. Tem um coágulo que treme vermelho. Grosso. Salgado. E tem hotel. E tem trombose. E tem reserva. E tem um nome. Riscado. Com sangue.